Com o tema “Aruanayê: Guardiãs dos mistérios ancestrais”, a escola de Santo Antônio aposta na valorização do meio ambiente e na figura feminina para brigar pelo título de campeã em 2026
André Cypreste
Em Santo Antônio, bairro de Vitória, o assunto foge das festas de fim de ano e foca em apenas um tema: Carnaval. A Escola de Samba Novo Império entra na reta final de preparação para o desfile de 2026 e leva consigo a expectativa de voltar à disputa pelo título de campeã capixaba.
“Aruanayê: Guardiãs dos mistérios ancestrais” é o tema escolhido para conduzir o samba da escola rumo à avenida. No folclore, essa história traz uma mensagem de força feminina e defesa ambiental, escrita pelo compositor carnavalesco Osvaldo Garcia, responsável pelo enredo de 2025. “É a união de duas personagens, uma indígena e uma negra, que se juntam para proteger a mãe Terra”, revela o presidente da agremiação, Vlamir dos Santos.
O nome “Aruan” está associado à lua cheia e ao ato de cuidar, enquanto “ayê” significa terra. Juntos, a palavra representa as “zeladoras da terra”. O tema propõe uma narrativa que entrelaça as histórias de xamãs africanas e guerreiras indígenas que formam uma aliança para enfrentar a opressão dos colonizadores brancos, guiadas pela lua cheia e pelos mistérios da natureza.
“Já estamos trabalhando nos carros alegóricos. As fantasias sendo produzidas e protótipos finalizados. Quatro alas já estão prontas, incluindo as baianas e as alas comerciais, que exigem mais detalhes”, explica Vlamir.
Há quase 20 anos com a agremiação, Vlamir vê 2026 como uma oportunidade de fazer história. E conquistar mais um título com a Novo Império. Agora, como presidente. “Das outras edições até participava, mas eu era de ala. Era diferente, não tinha compromisso. Antes não era essa paixão toda”, comentou.
Vlamir destaca a força da comunidade e a importância da escola como espaço de convivência e transformação social. “A Novo Império tem um chão muito forte, é uma escola de família. Aqui é comum encontrar netos e filhos de antigos ritmistas, passistas e fundadores. Isso passa de geração em geração”, conta.
Essa relação com o bairro Santo Antônio é um dos pilares da agremiação. O presidente, morador da região há mais de seis décadas, cresceu envolvido com o carnaval local. Hoje, ele vê na escola um papel que vai além da avenida.
“Temos as oficinas de percussão, o projeto das passistas e a Escola Capixaba de Percussão. Tudo isso mantém a garotada ocupada. Aprendem e crescem com a comunidade. Também queremos retomar um projeto de reforço escolar em matemática para oferecer aulas gratuitas no bairro”, afirma.
Fundada em 20 de dezembro de 1956, ainda como Império da Vila Rubim, a Novo Império nasceu do desejo de trabalhadores, sambistas e moradores da região de fortalecer a cultura carnavalesca na capital capixaba. Pouco tempo depois, a escola se fixou no bairro Caratoíra, área que integra a grande região de Santo Antônio, e que até hoje se confunde com a própria identidade da agremiação.
Desde o início, a escola manteve uma relação cooperativa com a comunidade: a quadra se tornou o ponto de encontro, espaço de sociabilidade, palco de manifestações culturais e ambiente de formação de novas gerações de ritmistas e passistas.
Ao longo das décadas, a Novo Império consolidou seu nome no Carnaval de Vitória, essa trajetória rendeu sete títulos do Grupo Especial, conquistados nos anos de 1978, 1980, 1985, 1987, 1988, 1989 e 2022.
“Nosso foco é disputar o título. A Novo Império é uma escola que trabalha com amor e que representa a força de Santo Antônio. A avenida é o resultado de tudo isso: da comunidade, da união e do trabalho de um ano inteiro”, conclui Vlamir dos Santos.