Na avenida, a agremiação promete conquistar o coração dos capixabas com muita fé, amor e carinho pelas matas.
Guilherme Kaiser, Luiz felipe Ribeiro e Rayla Corrêa

Para o Carnaval de Vitória de 2026, a escola Pega no Samba escolheu abordar temas como educação ambiental e elementos ligados às religiões de matriz afro-brasileira dentro de seu enredo “Oké Caboclo Sete Flechas”, que contará com 20 alas, três carros alegóricos e um tripé. Composta pelo carnavalesco Jorge Mayko, a história reverencia o Caboclo Sete Flechas, entidade ligada às tradições da Umbanda e das religiões de matriz africana. Suas sete flechas representam a força dos povos originários em meio aos desafios da contemporaneidade.
Segundo o carnavalesco Jorge Mayko, a escola tinha o anseio de falar sobre o meio ambiente e resgatar histórias de matriz afro-brasileira e, assim, viu no conto do caboclo uma oportunidade. “Num primeiro momento ele era um índio originário de Porto Seguro e ele lutou pela preservação de suas terras como tantos outros. Em determinado momento, a história conta que ele foi golpeado e então o Orixá Oxalá ordena que seja traga a força suprema da natureza para que ele possa deixar de ser apenas um índio e se tornar uma entidade da Umbanda e a partir daí ele passa a ser um protetor de todas as florestas brasileiras”, explicou.

A escola de Gurigica prepara surpresas para seu desfile. De acordo com Jorge Mayko, a Pega no Samba carrega a responsabilidade de ser a primeira escola a desfilar no carnaval do país, devido ao evento antecipado em Vitória e à escolha da agremiação para abrir o desfile. Por isso, o carnavalesco afirma que a mensagem do enredo é carregada de significados, abordando as culturas originárias do Brasil, os índios pataxós e sua relevância para a formação cultural e social do país. Essa mensagem já estará fortemente presente na comissão de frente, que norteará todo o desfile. “No final, a mensagem que nós deixamos na avenida é que: ‘não só a natureza, não só as religiões de matriz africana e não só o carnaval. Tudo merece ser respeitado'”, afirmou.
A escola promete entregar uma percussão de muita fé, harmonia e novidades durante o desfile. O mestre Leandrinho conta que o enredo é carregado de espiritualidade e funciona como um grito de socorro, pedindo à população que cuide das matas e da natureza. “Nosso enredo é caloroso, forte e principalmente um alerta para cuidar da nossa natureza”, disse.
A ala das passistas também apresentará um manifesto em respeito aos movimentos e danças das religiões de matriz africana. O rei da bateria, Alessander Constantino, também responsável pela ala das passistas, afirma que a coreografia, inspirada nas danças das religiões, é um sinal de respeito e uma demonstração de fé da escola. “Poder ter espaço e licença para interpretar as danças do caboclo 7 flechas faz meu coração palpitar. Vamos levar pra avenida a defesa das matas e a religiosidade”, conta. O mestre de bateria Neném afirmou que a letra do enredo sobre o Caboclo traz uma composição que lembrará a versão original do cântico religioso
História
Fundada em janeiro de 1976, a escola nasceu de um bloco carnavalesco popular no bairro Consolação, então conhecido como “Pega Tudo”. A transição de bloco para escola de samba ocorreu em 1982, quando a Pega no Samba ingressou no segundo grupo do Carnaval de Vitória. No mesmo ano, conquistou seu primeiro título no acesso com o enredo “Sonho Infantil”.
Desde então, consolidou-se como uma das agremiações mais representativas das comunidades periféricas da cidade, levando para a avenida não apenas samba, mas também vozes, histórias e lutas do cotidiano. Em 2023, seu enredo “Era só mais um cria” exaltou a cultura das favelas e periferias de Vitória, evocando símbolos de religiões de matriz afro-brasileira, da ancestralidade e da resistência comunitária.
No entanto, a escola também enfrenta desafios típicos de agremiações que dependem de uma ampla rede de oficinas de fantasia, costureiras e artesãos para materializar seus enredos. Nesse sentido, Jorge Mayko explica que a maior dificuldade para 2026 é o tempo. “O Carnaval este ano é antecipado, então a gente tem dificuldade com o fornecimento de materiais. O tempo está mais curto”, disse.
Para a avenida em 2026, a escola promete um desfile colorido, com muitas formas geométricas representando a natureza. A Pega no Samba deseja trazer, em forma de alegria, a mensagem da educação ambiental, mostrando ao público capixaba a importância desse tema. Serão três carros alegóricos e um tripé representando o cuidado com as matas, seguindo o samba-enredo que trata de uma entidade de matriz africana que se apresenta como defensora das florestas